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Em Portugal, a humidade e as diferenças de temperatura ao longo do ano são muito comuns. Por esse motivo, recorrer ao sistema de caixa de ar torna-se uma solução construtiva muito eficaz para aumentar o conforto e prolongar a vida útil das paredes. Além disso, quando o sistema é bem executado, consegue reduzir bastante problemas típicos como bolores, infiltrações e condensações internas.
🏗️ O que é, afinal, a caixa de ar?
De forma simples, trata-se de um espaço vazio — normalmente entre 3 e 10 cm — deixado entre a parede exterior e a parede interior. Na maioria dos casos, o lado de fora é em tijolo cerâmico e o lado de dentro é em tijolo leve ou gesso cartonado. Esse espaço intermédio funciona como uma barreira natural de isolamento. Assim, ajuda a equilibrar a temperatura e a proteger o interior contra a entrada de humidade. Consequentemente, a casa torna-se mais estável e confortável durante todo o ano.
🔍 Como é composta uma parede com caixa de ar?
De fora para dentro, costuma ter a seguinte sequência:
- Revestimento exterior (reboco e tinta ou fachada ventilada);
- Alvenaria exterior em tijolo;
- Espaço de ar com 3 a 10 cm;
- Isolamento térmico (EPS, XPS, lã mineral ou poliuretano projetado);
- Alvenaria interior ou pladur;
- Acabamento final no interior.
Dessa forma, cria-se uma parede “respirável” e com bom desempenho térmico e acústico.
✅ Vantagens principais
Em primeiro lugar, o ar é um mau condutor de calor. Por isso, a caixa ajuda a manter o interior mais fresco no verão e mais quente no inverno.
Em segundo lugar, há menos condensações, porque o ar dentro da caixa permite que o vapor de água se dissipe. Desse modo, evitam-se manchas e cheiros de humidade.
Para além disso, a fachada dura mais tempo, já que as diferenças de temperatura deixam de ser tão agressivas para o reboco e para a pintura.
Outra vantagem importante está no ruído: várias camadas (parede + ar + parede) reduzem bastante o som vindo da rua.
Finalmente, em obras de reabilitação é possível injetar isolamento na caixa existente sem demolir paredes, o que facilita e reduz custos.
⚠️ Erros comuns que estragam o sistema
Nem tudo é perfeito. No entanto, quando a caixa não é ventilada, o ar fica parado e pode surgir condensação.
Outro erro frequente é não tratar bem as pontes térmicas em pilares, lajes e caixilharias; nesses pontos o frio “entra” e o desempenho baixa.
Além disso, uma caixa com menos de 3 cm quase não isola.
Por fim, confiar apenas no ar não chega: é preciso combinar o espaço de ar com um isolante contínuo.
🧱 Caixa de ar ou Capoto (ETICS)?
- Isolamento térmico: caixa de ar = médio/bom; capoto = excelente.
- Isolamento acústico: caixa de ar = bom; capoto = médio.
- Custo médio/m²: cerca de 45–70 € na caixa de ar e 60–90 € no capoto.
- Estética: a caixa de ar permite manter fachadas tradicionais; o capoto dá um aspeto mais moderno.
Portanto, o capoto costuma ser mais indicado em construções novas ou quando se quer renovar toda a fachada pelo exterior. Já a caixa de ar encaixa muito bem em moradias tradicionais ou em reabilitações onde não se quer alterar o aspeto da frente.
🧰 Boas práticas para garantir desempenho
Para o sistema funcionar bem, convém seguir algumas regras:
- manter pelo menos 3 cm de espaço, sendo 5 a 7 cm o ideal;
- colocar isolamento contínuo dentro da caixa;
- resolver pontes térmicas em lajes, pilares e vãos;
- prever entradas e saídas de ar, sobretudo em fachadas grandes;
- usar materiais certificados e mão de obra que saiba aplicar.
Além disso, o cumprimento das recomendações da ADENE e das exigências de eficiência energética ajuda a obter melhores resultados.
💡 Dica rápida
Quem tem uma casa antiga com paredes duplas pode melhorar o isolamento sem partir tudo. Para isso, basta injetar espuma de poliuretano ou bolinhas de EPS na caixa existente. Contudo, é essencial garantir antes que a parede exterior não tem fissuras nem pontos de infiltração.
🧭 Conclusão
Em suma, a caixa de ar é uma solução simples e económica que melhora bastante o conforto das habitações portuguesas. Contudo, precisa de ser bem dimensionada e ventilada; caso contrário, pode até criar humidade. Por isso, o ideal é que o projeto seja acompanhado por profissionais habituados a este tipo de sistema.
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